Foi inaugurada a exposição “SOLOS: Territórios Interpenetráveis” com curadoria coletiva realizada pela equipe de educadores museais do Espaço Cultural. A exposição volta-se para temas ambientais em territórios amazônicos a partir da exploração de recursos naturais como o minério de ferro, conflitos em terras indígenas, garimpos ilegais, lutas camponesas atuais e defesa ambiental atendendo a agenda global de temas que evocam urgências climáticas.
Visando as responsabilidades da 30ª edição da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas – COP30 – a equipe educativa do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas propõe um discurso entre obras de arte construídas com elementos naturais cuja origem vem do solo: esculturas em argila e ferro compõe grande parte da mostra artística, que conta ainda com obras resultantes de denúncias sobre conflitos por disputa de territórios com alta concentração de jazidas de ferro e exploração de
minerais, além de fotografias, vídeos, pinturas e instalações.

Albacelhe Braga, diretora do Espaço Cultural, destaca a importância estratégica desta proposta curatorial: “Desde a bem-sucedida exposição Amazônia Presente, exibida no segundo semestre de 2023, que o Museu Casa Onze Janelas vem mobilizando discussões sobre esses temas a fim de aproximar a comunidade junto aos interesses ambientais regionais e globais. É fundamental que os museus brasileiros se comprometam com essas questões.”
Segundo Milena Claudino, educadora museal, esta exposição se divide em três núcleos: Corpos naturais; Territórios Interpenetráveis e Outros Códigos. O núcleo “Corpos Naturais” discute o deslocamento de pessoas entre os territórios
amazônicos e destaca a obra de Marcone Moreira, artista visual natural de Marabá, que apresenta uma fotografia em alusão ao sangrento episódio do massacre ocorrido em Eldorado dos Carajás. A educadora destaca que “é muito importante exibir esta
obra nessa exposição pois ela fala sobre lutas territoriais e ocupação de terras, de solos. Aqui queremos ampliar a noção de solo em todas as suas camadas e dimensões.”
O núcleo seguinte é denominado “Territórios Interpenetráveis” e busca cruzar distâncias e transpor fronteiras, a exemplo da fotografia “Rodovia Transamazônica” de autoria da artista e fotógrafa, Paula Sampaio. As áreas geográficas exibidas nas
obras do fotógrafo Miguel Chikaoka, como: Tucuruí, Marabá e Itaituba fazem parte desses territórios interpenetráveis.
Por fim, o núcleo “Outros códigos”associa relações entre obras de arte produzidas com elementos naturais: orgânicos e minerais diretamente extraídos de profundas camadas do solo com rochas provenientes de áreas de exploração mineral. Milena Claudino destaca: “Nesse núcleo conjugamos obras de arte que fazem parte da coleção da Casa das Onze Janelas com rochas naturais, proveniente da coleção do Museu de Gemas do Estado do Pará. Isso é interessante, pois outros códigos de acesso e compreensão são gerados durante a visita à exposição.

SERVIÇO:
EXPOSIÇÃO: “SOLOS: Territórios Interpenetráveis”
LOCAL: Espaço Cultural casa das Onze Janelas
ENDEREÇO: Pça Frei Caetano Brandão, Complexo Feliz Lusitânia, Cidade Velha.
HORÁRIOS: de terça à quinta – 9h até 14h
HORÁRIOS: sexta, sábado, domingos e feriados – 9h às 17h
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: livre para todas as idades
RECURSOS DE ACESSIBILIDADE DISPONÍVEIS: Braille, libras digitais, áudio-
descrição e réplicas táteis.
ENTRADA FRANCA